4.27.2010

Contação de história na igreja do Sítio do Mocó, contador Márcio Maracajá, por Marcos Carmargo.

4.24.2010

Corpos/Ciclo da Vida - performer Juliana Bueno, pintura corporal Popeye, por Carol Pinzan.

4.20.2010

Vista próxima à Toca da Onça - Parque Nacional Serra da Capivara (PI), por Marcos Camargo.

4.19.2010

Corpos/Ciclo da Vida - Parque Nacional Serra da Capivara, por Marcos Camargo.

4.13.2010

Musica "Sábia" - entreExtremos





- por Rica Calado / Seu Chico dos Macacos
Coletivos URUBUS
Serra da Capivara - jan/2010

Seu Chico e os Macacos


Compartilho com todos nosso encontro com os macacos na trilha para a Casa dos Oitenta.
Parque Nacional Serra da Capivara - PI
Mel

4.09.2010

Light Painting - Toca da Gameleira - Parque Nacional Serra da Capivara (PI), grafismo Popeye e foto Marcos Camargo.

3.26.2010

Iguana por Fafá Salles






esta noite fui visitar, fui visitar um sonho,
num sonho,
que vivi um tempo atrás.
um pouco tempo atrás,
que no desafio da vida,
caso cabra não se cuide,
vai caindo por trás das névoas;
por trás das brumas que a velocidade da vida se põe a pintar.

no sonho,
desta noite, que fui visitar,
era um caminho cor de terra.
uma estrada cor de terra parida sob o sol de rachar,
e tantas flores, tantas lindas flores com suas cores e perfumes mágicos,
que no sonho pensava como antes não tinha tudo aquilo olhado.

dum lado da margem, na beira da estrada,
um campo; doutro lado da margem
da beira da estrada, um morro
e uma bananeira.
uma bananeira carregada de banana boa,
e diferente, diferente a bananeira,
diferentes as bananas.

minha sede não resistiu, com cuidado,
que dentro de mim o sino do perigo já fazia refrão, com cuidado
me pendurei num galho que dava.
e no morro, no alto do barranco, dei de cara com a cobra.
e era uma aqui, outra logo ali, e correr já não dava.

seus olhos brilharam fundo nos meus,
como me dizendo que sabia tudo o que dentro de mim passava;
e foi amor, e foi amor que trocamos,
ainda que na certeza do bote.
foi quando me lancei ao chão
e pernas pra quem te querem.
só deu tempo de olhar pra trás,
ver o bote armado...

e com o coração na boca lembrei do que Seu Chico falava:
"sonho a gente nunca termina de sonhar".

3.25.2010

Peba, mocó, macaco, catitu.
Xique- xique, cabeça de frade, xixá, mandacaru.
Andorinha, borboleta, vespa, mosquito, abelha, mangangá e jacu.
Descobri a guabiraba, a pitomba e a delícia do umbu.
A beleza da raiz da gameleira,
e lá no alto, reinar o urubu.
Favela, jurema, mulatinha e pao roxo.
Eta, cabra danado! O sol queima até o osso.
Fogueira é coisa séria.
Cumadre batizou e cumpadre afirmou.
E se o sentimento apurrinha lá dentro...
Relaxa, nêga! Já diz o ditado do amor.
Quando eu resolvi vir pro Piauí, eu nem imaginava o que eu ia encontrar por aqui.
E de mais de tudo que eu aprendi,
É que a chuva é uma benção,
O sonho um segredo
E a vida uma prece.

Mel

3.19.2010

Quando fomos, antes de virmos, sentados em volta da nossa última fogueira, Seu Chico proferiu seu recado: “amanhã vai tá todo mundo em sua casa, no seu apartamento, se ligando, e achando que a vida é isso. Isso aqui não vai mais ter.”
Atenção amigos, atenção para o refrão: é preciso estar atento e forte! Não temos tempo de temer a morte! Quanta morte não esconde o intervalo da chamada.

Coral

3.18.2010

Hoje mesmo a noitinha me bateu uma saudade, saudade. Saudade, a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente, em pensar que o céu que nubla lá fora é exatamente, neste instante, o mesmo que voa pelas asas do Piauí. Que sobrevoa a possivelmente inabitada Casa dos Oitenta agora. Este céu, que não pairam dúvidas, é um chão floreado de estrelas. Com lua minguando tão clara que é de faltar ar em qualquer peito, e nestes sensíveis peitos ainda, quem dirá.
Hoje mesmo me bateu saudade, do Seu velho Chico dos Macacos. Por onde andarão tão astutos pés? Pelas asas das proteções mágicas da Senhora Dona da Mata, não é de dar dúvidas. Pelas sinfonias dos sapos que nos ensinam a respirar com a pele toda, na certa. Pelos pés de laranjeira, recostados na cadeira, partilhando nestes outros cantos a saudade que cintila pelas bandas de cá? Saudade, a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente.
Entre o extremo daqui e o extremo de lá, o presente. Há o presente em todos os cantos, o presente em todos os cantos nunca haverá de faltar. Falta água, falta pão, mas sol não haverá de faltar. Nem céu, enevoado, límpido, céu nunca há de faltar. E quanto mais não dirá a filosofia, entre céu e chão. E entre céu e chão quanta cabeça não há de estar. Cabeça, saltando pelos braços saudosos, com a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente, saudade.

Coral
como quem faz da vida uma brincadeira,
pinto com meu sangue,
uma fagulha no tempo.
A bateria está acabando.
O corpo está renovando,
das estrelas;
pras estrelas.
E porque não fiz poemas antes?

2.21.2010

Ação do Urubus em Sampa! entreExtremos

Como ação conclusiva do projeto entreExtremos, na próxima semana o coletivo Urubus estará reunido em caráter permanente e nômade por diversos locais da malha urbana da cidade de São Paulo, propondo distintos encontros e intervenções que terão por objetivo divulgar a existência do Parque Nacional Serra da Capivara e expor faces da imersão artística realizada em seus limites pelo coletivo.

Diariamente este portal deverá ser atualizado com informes das intervenções, mantenha-se atento e venha comungar.

Segunda-feira (22/02)

dia: o coletivo visita a tribo guarani de Parelheiros com intuito de recolher informações sobre a atual situação de sua preservação cultural, realizando uma pesquisa sobre a presença das artes gráficas tradicionais da tribo em um possível diálogo com expressões gráficas contemporâneas operadas na pesquisa do coletivo.

noite: pernoite em local indefinido.

Terça-feira (23/02)

dia: travessia interativa com os olhos vendados na Avenida Paulista.

noite: fogueira pública com projeção de imagens do Parque Nacional Serra da Capivara após às 20h30 na Praça Roosevelt.
O coletivo convida os interessados a sentar à beira da fogueira e jogar prosas, cantos, poemas, entre tantos, fora; de olhos na lua que cresce.

Quarta-feira (24/02)

noite: Cuidado: Tinta Fresca!
O coletivo realiza performance interativa onde grafite, música, corpo, entre outros, improvisam e contaminam-se em tempo real.
(horário e local a serem definidos)

Quinta-feira (25/02)

dia: prática corporal Zoológico.

noite: projeção de imagens do Parque Nacional Serra da Capivara.
(horário e local a serem definidos)

Sexta-feira (26/02)

dia: Corpos/Mimetismo/Natureza/Urbano
O coletivo realiza performance ritual onde os corpos recebem pinturas corporais e criam diálogo com a paisagem urbana.
Local: Parque da Água Branca e Minhocão.

Sábado (27/02)

noite: festa sinestésica-vivencial.
O coletivo recebe convidados que passam por proposições sinestésicas e vivenciais em celebração.

Da saudade...

Da saudade...
Houaiss
saudade
    substantivo feminino
  1. sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (freq. us. tb. no pl.) Ex.:
  2. Rubrica: música. Regionalismo: Brasil. certa cantiga entoada em alto-mar por marinheiros
  3. Rubrica: angiospermas. design. comum a várias plantas de diversas famílias, esp. da fam. das dipsacáceas e das compostas; saudades, suspiro, suspiros
  4. Rubrica: angiospermas. erva de até 60 cm (Scabiosa atropurpurea) da fam. das dipsacáceas, com flores vistosas, roxas, rosas ou brancas, nativa da Europa e muito cultivada como ornamental; escabiosa, flor-de-viúva, saudades-roxas, suspiro-dos-jardins, viúva, viúvas
  5. Rubrica: angiospermas. m.q. saudades-roxas (Scabiosa maritima)
  6. Rubrica: ornitologia. Regionalismo: Rio de Janeiro (Itatiaia). m.q. assobiador (Tijuca atra) saudades

    substantivo feminino plural
  1. Uso: informal. cumprimentos amigáveis de quem sente ou diz sentir a falta de outrem Ex.: dê-lhe minhas s.
  2. Rubrica: angiospermas. Regionalismo: Portugal. m.q. saudade ('designação comum')
Michaelis
saudade
    sf (lat solitate)
  1. Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas.
  2. Nostalgia.
  3. Ornit Pássaro muito atraente da família dos Cotingídeos (Tijuca atra); assobiador.
  4. Bot Nome com que se designam várias plantas dipsacáceas e suas flores; escabiosa.
  5. Bot Planta asclepiadácea (Asclepias umbellata). sf pl Lembranças, recomendações, cumprimentos. S.-da-campina: o mesmo que cega-olho, acepção 1. Saudades-de-pernambuco: o mesmo que jitirana-de-leite. Saudades-perpétuas, Bot: planta da família das Compostas (Xeranthemum annuum).

Fafá Salles

entreExtremos


são chegadas, são chegadas sem estar. aprender que estar é o presente, que o que foi está ausente, que aqui estamos e somos. aprender o que as estrelas nos ensinaram. como é potente habitarmos um tempo suspenso do tempo. como são tantas as forças que jorramos quando nos distanciamos de nós descendo bem fundo ao profundo que somos, das descidas tão íngremes que nos põe além. para além, para após, para fora, em encontro com as partículas que compõem o mundo. onde somos as partículas que compõem o mundo, em encontro com as partículas que compõem o mundo, quando somos o mundo. quando o cosmos se manifesta. quando o cosmos nos consome, nos some. como é leve sumir na superfície do cosmos. como é pleno. como são grandes os desafios dos homens em seus contemporâneos.
as pinturas dormem em minha cama, acordam em meu sono, sentam em minha mesa, tatuaram-se em minha pele pela parte de dentro. as pinturas e os rostos escondidos pelas partes invisíveis das coisas. o meu eu se fez em mil, em nós. o meu eu pouco em pouco descobre outras fendas e faces em desatar-se os nós. minhas asas ainda crescem. e a busca segue

CORAL

1.26.2010

Aprendizagens que se dão como visagens...


Por Jurupinga, ou Ju na pica, antiga Juliana Bueno


Sobre o piloto automático...

Por que será que nosso piloto automático ficou condicionado no caminho do medo (interrogação) Meu piloto automático me leva para caminhos errados e é bom que eu saiba, para poder recuperar as rédeas sempre a tempo. O piloto automático camufla a intuição. A ela sim, percebo a importância de se dar ouvidos, mais que ouvidos, a importância de se dar passagem! Dar ouvidos, corpo e alma. Substância a nossa intuição. Ultimamente minha vida tem sido pródiga. A natureza tem sido pródiga. E minha intuição voltou a me falar!

Ainda sobre o tal piloto automático. Foi a observação mais complexa, o problema maior que tive que enfrentar na primeira pintura, a do ciclo da Vida, com o tema dos animais de poder. Acabada de chegar de viagem, meia noite de sono, o corpo ainda não adaptado, um pouco de “alterofilia físico-espeirito-emocional-artistico-criadora” rolou sim. E nessa alterofilia momentos de desencontro, de desconexão, dificuldade em encontrar o jogo, o grupo, os olhos. Qual o direcionamento(interrogação) Para quem fazemos(interrogação) Senti muito nitidamente os momentos em que entrava em chaves de representação. Me sentia tosca. Me sentia cansada, no entanto, não respeitava este cansaço, como se alguma meta devesse se cumprir, algum compromisso histérico com a vitalidade. É tanta bobagem que a gente põe na bagagem!

E pensar que

se toda chispa estalada da fogueira

virasse estrela verdadeira

colada na tela do céu

A noite seria tão clara!

A noite seria brilhante!

Seria...

o dia do dia!

De noite já seria amanhã!

Ufa! Cansei!

De noite eu durmo.

E pensar em

Toda chispa estalada da fogueira

Virando estrela verdadeira

Colando na tela do céu . . .

Escrita fluida sobre a vivência do sexo e nossas intensidades até então

A dificuldade em verbalizar, concatenar idéias. Dizer o que não vem da ordem das palavras, contemplar o que transborda qualquer dos nomes antes experimentados. Criar novos nexos. Na insistência e na prática do pensamento e da elaboração do subjetivo em outras linguagens é que esse se faz livre e criativo. Insistir. Teimar. Com suavidade, com persistência. Superar minha descrença em mim e seguir. Sempre seguir. Olhar o presente como perfeito e saber se entender e colocar dentro dele é prática de sabedoria, não de resignação, como eu poderia pensar há alguns dias. respiro.

Percebo que estaremos sujeitos a intempéries físico-emocionais e que devemos estar preparados para enfrentá-las sem culpa. Só a ausência de culpa é que permite que a cura se processe. Aqui tudo parece tão simples. A possibilidade da auto-observação, meditar-se a todo o instante e olhar-se como um rio a passar, sem se apegar a qualquer imagem prévia que se possa ter de si mesmo. Um imenso privilégio! É a prática do cuidado de si. Cuidar de si no outro. A ética do cuidado de si como prática da liberdade (Vale a referência a este texto do Foucault). Respeitar o próprio retiro, a própria debilidade. Não ser violento nas cobranças, esperando que o mundo pare de girar porque você gripou, ou porque quebrou o maxilar. Torçamos então para que a roda da vida gire e gire mais! e continue a girar e que as pessoas cresçam e que possamos, de fato, nos unir, nos irmanar em nossas potências. Na perfeição de nossas potências, sem falsas expectativas, criamos redes. Na expectativa criamos a falta.

Olhar o presente como perfeito e se compreender com perfeição dentro dele.

Amor, alegria e liberdade.

Amor, alegria e liberdade,

Amor alegria e liberdade!

...

Simples assim .

Entre um ponto e outro

O infinito

......................................

Simples assim

!

Na Kundalini encontrei um lugar de delicadeza. De suavidade no cuidado com o corpo, desfrute do prazer que posso propiciar a meu corpo e muita firmeza depois de um justo prazer. Sentei sobre o ísquios realmente habitando o corpo, sentei em mim como quem senta num trono, ali eu poderia ficar horas a fio e estaria pronta, firme como uma rocha que tudo testemunha, muito cala em suas marcas de tempo e só revela o essencial, sabedoria... A busca por uma não representação. Para não se representar na vida, deixar a força agir, ouvir as forças internas que pedem passagem, que se querem manifestar por canais livres. Hei de ser vigilante, agir com escuta constante para não me esconder de mim.

descolando...

Mavu, Osho leu Freud(interrogação)

Planalto Vulcânico ou Canto das Tartarugas, um dos meus muitos lugares no mundo!


. . . Quando os olhos se encheram de imensidão o peito careceu de fôlego . . .

Achei meu lugar no mundo. Quando achei meu lugar no mundo. Quando achei meu lugar no fundo de mim. Senti completude. Esqueci—me. Abandonei-me. Plenivivi! Um ponto, um átimo. Éramos eu e a pedra. Eu e a pedra do topo do mundo. Eu e o calor da pedra do topo do mundo. Eu e a segurança da pedra, no topo do mundo! Ali nada de mal podia vir! Tenho o tamanho de uma montanha, a minha montanha, meu topo de mundo.

A pedra vibrava, falava comigo, me contava a história das alegrias do mundo, dos povos alegres que viveram ali. Ai que encanto de mundo! E a água...! Perto de água toda gente é feliz! No meio da montanha, bem no meio da montanha de pedras, uma gruta! Uma gruta e água, uma água tão bonita que sou capaz de embasbacar de novo por falta de palavra melhor, astonished! Falando assim, em outra língua, quem sabe pareça ainda mais incrível do que estamos acostumados a imaginar quando lemos.

. . . Tenho a retina inundada de paisagens! O peito pleno de gratidão e amor! . . .

Aiê mamãe Oxum! Gratidão plena meu pai Xangô!


Reflexões pré-mortais ainda sob forte impacto de pedras e pinturas! Ainda vou rebentar!

Se eu pudesse guardar algo de mim para perpetuar, para plantar na vida, como aqueles homens fizeram naquele tempo, plantaria o meu melhor. Plantaria pedacinhos de alegria, porções prontas para a germinação de boca entreaberta, de pasmo diante de tanta beleza e perfeição. Plantaria minha gratidão a todos os que viveram e morreram pela História e pela História da Pré-História. Poria na terra os meus abraços mais profundos, minhas descobertas mais puras. Contaria histórias em pacotinhos de áudio, para que meu irmão do futuro pudesse compartilhar comigo minha própria voz e diria “eu te amo” e “agradeço por me ouvir” e coisas como “sempre duvide dos mártires” ou “procure relatos sobre a Guerra Civil Espanhola, um tema da História Antiga que é bastante fascinante” e, claro, “viver foi uma aventura incrível, grata por estar comigo agora!”

Estar firme sobre a rocha e sentir a vida pulsar. Compreender-me forte entre Terra e céu. Saúdo a força infinita e ancestral das pedras, que tudo observam e tudo guardam ao longo de décadas de séculos. Pedras captadoras, pedras transmissoras dessa energia vital que se perpetua, que não se esvai, que encontrou meios de se registrar e comunicar com os que vieram depois, bem depois.

Eu amo e agradeço a esses homens que registraram nas pedras, com tamanha generosidade, a sua alegria e experiência de passagem por essa existência.

I

. . . me pergunto como registrar as minhas, em amor aos homens do futuro!


! ! ! Necrofilia é amor ao futuro ! ! !

(Heiner Muller)

Nesse percurso de ida à Morte o que eu saúdo e o que começa a morrer(interrogação)


Eu saúdo o serviço, ao que posso aprender com meus amigos,

Eu saúdo ao Mavú!

Eu decreto a morte feliz ao Migué!

MORTE AO MIGUÉ!