8.23.2010
8.16.2010
8.11.2010
7.23.2010
6.26.2010
Tudo o que não invento é falso.
Latas
Estas latas têm que perder, por primeiro, todos os ranços (e artifícios) da indústria que as produziu. Segundamente, elas têm que adoecer na terra. Adoecer de ferrugem e casca. Finalmente, só depois de trinta e quatro anos elas merecerão de ser chão. Esse desmanche em natureza é doloroso e necessário se elas quiserem fazer parte da sociedade dos vermes. Depois desse desmanche em natureza, as latas podem até namorar com as borboletas. Isso é muito comum. Diferentes de nós as latas com o tempo rejuvenescem, se jogadas na terra. Chegam quase até de serem pousadas de caracóis. Elas sabem, as latas, que precisam chegar ao estado de uma parede suja. Só assim serão procuradas pelos caracóis. Sabem muito bem, estas latas, que precisam da intimidade com o lodo obsceno das moscas. Ainda elas precisam de pensar em ter raízes. Para que possam obter estames e pistilos. Afim de que um dia elas possam se oferecer as abelhas. Elas precisam ser um ensaio de árvore a fim de comungar a natureza. O destino das latas pode também ser pedra. Elas hão de ser cobertas de limo e musgo. As latas precisam ganhar o prêmio de dar flores. Elas têm de participar dos passarinhos. Eu sempre desejei que as minha latas tivessem aptidão para passarinhos. Como os rios têm, como as árvores têm. Elas ficam muito orgulhosas quando passam do estágio de chutadas nas ruas para o estágio de poesia. Acho esse orgulho das latas muito justificável e até louvável.
Salve Manoel de Barros, grande poeta de coisas simples!
Do livro Memórias Inventadas, as Infâncias de Manoel de Barros.
A primeira Infância.
5.16.2010
5.15.2010
5.12.2010
5.10.2010
4.13.2010
Musica "Sábia" - entreExtremos
Coletivos URUBUS
Serra da Capivara - jan/2010
Seu Chico e os Macacos
Compartilho com todos nosso encontro com os macacos na trilha para a Casa dos Oitenta.
Parque Nacional Serra da Capivara - PI
Mel
3.26.2010
esta noite fui visitar, fui visitar um sonho,
num sonho,
que vivi um tempo atrás.
um pouco tempo atrás,
que no desafio da vida,
caso cabra não se cuide,
vai caindo por trás das névoas;
por trás das brumas que a velocidade da vida se põe a pintar.
no sonho,
desta noite, que fui visitar,
era um caminho cor de terra.
uma estrada cor de terra parida sob o sol de rachar,
e tantas flores, tantas lindas flores com suas cores e perfumes mágicos,
que no sonho pensava como antes não tinha tudo aquilo olhado.
dum lado da margem, na beira da estrada,
um campo; doutro lado da margem
da beira da estrada, um morro
e uma bananeira.
uma bananeira carregada de banana boa,
e diferente, diferente a bananeira,
diferentes as bananas.
minha sede não resistiu, com cuidado,
que dentro de mim o sino do perigo já fazia refrão, com cuidado
me pendurei num galho que dava.
e no morro, no alto do barranco, dei de cara com a cobra.
e era uma aqui, outra logo ali, e correr já não dava.
seus olhos brilharam fundo nos meus,
como me dizendo que sabia tudo o que dentro de mim passava;
e foi amor, e foi amor que trocamos,
ainda que na certeza do bote.
foi quando me lancei ao chão
e pernas pra quem te querem.
só deu tempo de olhar pra trás,
ver o bote armado...
e com o coração na boca lembrei do que Seu Chico falava:
"sonho a gente nunca termina de sonhar".
num sonho,
que vivi um tempo atrás.
um pouco tempo atrás,
que no desafio da vida,
caso cabra não se cuide,
vai caindo por trás das névoas;
por trás das brumas que a velocidade da vida se põe a pintar.
no sonho,
desta noite, que fui visitar,
era um caminho cor de terra.
uma estrada cor de terra parida sob o sol de rachar,
e tantas flores, tantas lindas flores com suas cores e perfumes mágicos,
que no sonho pensava como antes não tinha tudo aquilo olhado.
dum lado da margem, na beira da estrada,
um campo; doutro lado da margem
da beira da estrada, um morro
e uma bananeira.
uma bananeira carregada de banana boa,
e diferente, diferente a bananeira,
diferentes as bananas.
minha sede não resistiu, com cuidado,
que dentro de mim o sino do perigo já fazia refrão, com cuidado
me pendurei num galho que dava.
e no morro, no alto do barranco, dei de cara com a cobra.
e era uma aqui, outra logo ali, e correr já não dava.
seus olhos brilharam fundo nos meus,
como me dizendo que sabia tudo o que dentro de mim passava;
e foi amor, e foi amor que trocamos,
ainda que na certeza do bote.
foi quando me lancei ao chão
e pernas pra quem te querem.
só deu tempo de olhar pra trás,
ver o bote armado...
e com o coração na boca lembrei do que Seu Chico falava:
"sonho a gente nunca termina de sonhar".
3.25.2010
Peba, mocó, macaco, catitu.
Xique- xique, cabeça de frade, xixá, mandacaru.
Andorinha, borboleta, vespa, mosquito, abelha, mangangá e jacu.
Descobri a guabiraba, a pitomba e a delícia do umbu.
A beleza da raiz da gameleira,
e lá no alto, reinar o urubu.
Favela, jurema, mulatinha e pao roxo.
Eta, cabra danado! O sol queima até o osso.
Fogueira é coisa séria.
Cumadre batizou e cumpadre afirmou.
E se o sentimento apurrinha lá dentro...
Relaxa, nêga! Já diz o ditado do amor.
Quando eu resolvi vir pro Piauí, eu nem imaginava o que eu ia encontrar por aqui.
E de mais de tudo que eu aprendi,
É que a chuva é uma benção,
O sonho um segredo
E a vida uma prece.
Mel
Xique- xique, cabeça de frade, xixá, mandacaru.
Andorinha, borboleta, vespa, mosquito, abelha, mangangá e jacu.
Descobri a guabiraba, a pitomba e a delícia do umbu.
A beleza da raiz da gameleira,
e lá no alto, reinar o urubu.
Favela, jurema, mulatinha e pao roxo.
Eta, cabra danado! O sol queima até o osso.
Fogueira é coisa séria.
Cumadre batizou e cumpadre afirmou.
E se o sentimento apurrinha lá dentro...
Relaxa, nêga! Já diz o ditado do amor.
Quando eu resolvi vir pro Piauí, eu nem imaginava o que eu ia encontrar por aqui.
E de mais de tudo que eu aprendi,
É que a chuva é uma benção,
O sonho um segredo
E a vida uma prece.
Mel
3.19.2010
Quando fomos, antes de virmos, sentados em volta da nossa última fogueira, Seu Chico proferiu seu recado: “amanhã vai tá todo mundo em sua casa, no seu apartamento, se ligando, e achando que a vida é isso. Isso aqui não vai mais ter.”
Atenção amigos, atenção para o refrão: é preciso estar atento e forte! Não temos tempo de temer a morte! Quanta morte não esconde o intervalo da chamada.
Coral
Atenção amigos, atenção para o refrão: é preciso estar atento e forte! Não temos tempo de temer a morte! Quanta morte não esconde o intervalo da chamada.
Coral
3.18.2010
Hoje mesmo a noitinha me bateu uma saudade, saudade. Saudade, a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente, em pensar que o céu que nubla lá fora é exatamente, neste instante, o mesmo que voa pelas asas do Piauí. Que sobrevoa a possivelmente inabitada Casa dos Oitenta agora. Este céu, que não pairam dúvidas, é um chão floreado de estrelas. Com lua minguando tão clara que é de faltar ar em qualquer peito, e nestes sensíveis peitos ainda, quem dirá.
Hoje mesmo me bateu saudade, do Seu velho Chico dos Macacos. Por onde andarão tão astutos pés? Pelas asas das proteções mágicas da Senhora Dona da Mata, não é de dar dúvidas. Pelas sinfonias dos sapos que nos ensinam a respirar com a pele toda, na certa. Pelos pés de laranjeira, recostados na cadeira, partilhando nestes outros cantos a saudade que cintila pelas bandas de cá? Saudade, a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente.
Entre o extremo daqui e o extremo de lá, o presente. Há o presente em todos os cantos, o presente em todos os cantos nunca haverá de faltar. Falta água, falta pão, mas sol não haverá de faltar. Nem céu, enevoado, límpido, céu nunca há de faltar. E quanto mais não dirá a filosofia, entre céu e chão. E entre céu e chão quanta cabeça não há de estar. Cabeça, saltando pelos braços saudosos, com a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente, saudade.
Coral
Hoje mesmo me bateu saudade, do Seu velho Chico dos Macacos. Por onde andarão tão astutos pés? Pelas asas das proteções mágicas da Senhora Dona da Mata, não é de dar dúvidas. Pelas sinfonias dos sapos que nos ensinam a respirar com a pele toda, na certa. Pelos pés de laranjeira, recostados na cadeira, partilhando nestes outros cantos a saudade que cintila pelas bandas de cá? Saudade, a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente.
Entre o extremo daqui e o extremo de lá, o presente. Há o presente em todos os cantos, o presente em todos os cantos nunca haverá de faltar. Falta água, falta pão, mas sol não haverá de faltar. Nem céu, enevoado, límpido, céu nunca há de faltar. E quanto mais não dirá a filosofia, entre céu e chão. E entre céu e chão quanta cabeça não há de estar. Cabeça, saltando pelos braços saudosos, com a certeza de estar irremediavelmente no presente. Presente, saudade.
Coral
3.01.2010
2.21.2010
Ação do Urubus em Sampa! entreExtremos
Como ação conclusiva do projeto entreExtremos, na próxima semana o coletivo Urubus estará reunido em caráter permanente e nômade por diversos locais da malha urbana da cidade de São Paulo, propondo distintos encontros e intervenções que terão por objetivo divulgar a existência do Parque Nacional Serra da Capivara e expor faces da imersão artística realizada em seus limites pelo coletivo.
Diariamente este portal deverá ser atualizado com informes das intervenções, mantenha-se atento e venha comungar.
Segunda-feira (22/02)
dia: o coletivo visita a tribo guarani de Parelheiros com intuito de recolher informações sobre a atual situação de sua preservação cultural, realizando uma pesquisa sobre a presença das artes gráficas tradicionais da tribo em um possível diálogo com expressões gráficas contemporâneas operadas na pesquisa do coletivo.
noite: pernoite em local indefinido.
Terça-feira (23/02)
dia: travessia interativa com os olhos vendados na Avenida Paulista.
noite: fogueira pública com projeção de imagens do Parque Nacional Serra da Capivara após às 20h30 na Praça Roosevelt.
O coletivo convida os interessados a sentar à beira da fogueira e jogar prosas, cantos, poemas, entre tantos, fora; de olhos na lua que cresce.
Quarta-feira (24/02)
noite: Cuidado: Tinta Fresca!
O coletivo realiza performance interativa onde grafite, música, corpo, entre outros, improvisam e contaminam-se em tempo real.
(horário e local a serem definidos)
Quinta-feira (25/02)
dia: prática corporal Zoológico.
noite: projeção de imagens do Parque Nacional Serra da Capivara.
(horário e local a serem definidos)
Sexta-feira (26/02)
dia: Corpos/Mimetismo/Natureza/Urbano
O coletivo realiza performance ritual onde os corpos recebem pinturas corporais e criam diálogo com a paisagem urbana.
Local: Parque da Água Branca e Minhocão.
Sábado (27/02)
noite: festa sinestésica-vivencial.
O coletivo recebe convidados que passam por proposições sinestésicas e vivenciais em celebração.
Da saudade...
Da saudade...
- • substantivo feminino
- sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (freq. us. tb. no pl.) Ex.:
- Rubrica: música. Regionalismo: Brasil. certa cantiga entoada em alto-mar por marinheiros
- Rubrica: angiospermas. design. comum a várias plantas de diversas famílias, esp. da fam. das dipsacáceas e das compostas; saudades, suspiro, suspiros
- Rubrica: angiospermas. erva de até 60 cm (Scabiosa atropurpurea) da fam. das dipsacáceas, com flores vistosas, roxas, rosas ou brancas, nativa da Europa e muito cultivada como ornamental; escabiosa, flor-de-viúva, saudades-roxas, suspiro-dos-jardins, viúva, viúvas
- Rubrica: angiospermas. m.q. saudades-roxas (Scabiosa maritima)
- Rubrica: ornitologia. Regionalismo: Rio de Janeiro (Itatiaia). m.q. assobiador (Tijuca atra) saudades
- • substantivo feminino plural
- Uso: informal. cumprimentos amigáveis de quem sente ou diz sentir a falta de outrem Ex.: dê-lhe minhas s.
- Rubrica: angiospermas. Regionalismo: Portugal. m.q. saudade ('designação comum')
- • sf (lat solitate)
- Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas.
- Nostalgia.
- Ornit Pássaro muito atraente da família dos Cotingídeos (Tijuca atra); assobiador.
- Bot Nome com que se designam várias plantas dipsacáceas e suas flores; escabiosa.
- Bot Planta asclepiadácea (Asclepias umbellata). sf pl Lembranças, recomendações, cumprimentos. S.-da-campina: o mesmo que cega-olho, acepção 1. Saudades-de-pernambuco: o mesmo que jitirana-de-leite. Saudades-perpétuas, Bot: planta da família das Compostas (Xeranthemum annuum).
entreExtremos
são chegadas, são chegadas sem estar. aprender que estar é o presente, que o que foi está ausente, que aqui estamos e somos. aprender o que as estrelas nos ensinaram. como é potente habitarmos um tempo suspenso do tempo. como são tantas as forças que jorramos quando nos distanciamos de nós descendo bem fundo ao profundo que somos, das descidas tão íngremes que nos põe além. para além, para após, para fora, em encontro com as partículas que compõem o mundo. onde somos as partículas que compõem o mundo, em encontro com as partículas que compõem o mundo, quando somos o mundo. quando o cosmos se manifesta. quando o cosmos nos consome, nos some. como é leve sumir na superfície do cosmos. como é pleno. como são grandes os desafios dos homens em seus contemporâneos.
as pinturas dormem em minha cama, acordam em meu sono, sentam em minha mesa, tatuaram-se em minha pele pela parte de dentro. as pinturas e os rostos escondidos pelas partes invisíveis das coisas. o meu eu se fez em mil, em nós. o meu eu pouco em pouco descobre outras fendas e faces em desatar-se os nós. minhas asas ainda crescem. e a busca segue
CORAL
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